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Entrevista: diretor da Pfizer Brasil e vice-predidente EMS
Publicada em 17-06-2010
Esse mercado, o que mais cresce na indústria farmacêutica, tende a fervilhar ainda mais, pois caiu a patente do Viagra, nome comercial do sildenafil, princípio ativo da famosa pílula azul da Pfizer usada para combater a disfunção erétil. A Revista Meio e Mensagem fez uma entrevista com Adilson Montaneira, diretor da unidade de negócios primary care da Pfizer Brasil.
Viagra, um medicamento de extrema importância para a Pfizer, que irá defender sua participação de mercado. É o que diz Adilson Montaneira, diretor da unidade de negócios primary care da Pfizer Brasil.
M&M - Quanto uma empresa perde ou deixa de ganhar a partir do vencimento da patente de um medicamento?
Adilson Montaneira - Em geral, com o vencimento da patente, o volume de vendas de um medicamento diminui mais da metade no primeiro ano, perto de 60%. Essa perda pode se acentuar ao final de três anos.
M&M - E no caso do Viagra, de quanto será esta perda e qual a expectativa de vendas do medicamento após o vencimento da sua patente e dessas medidas adotadas pela Pfizer?
Montaneira - Viagra é um medicamento de extrema importância para a Pfizer e a companhia está disposta a defender sua participação no mercado, bem como possibilitar que mais pacientes brasileiros tenham acesso ao produto. No ano passado, a Pfizer faturou R$ 170 milhões com a venda de cerca de 7 milhões de comprimidos de Viagra no País, de acordo com dados da consultoria IMS Health.
Com essa estratégia de diminuição do preço e lançamento da nova apresentação do medicamento, a expectativa é de mantermos entre 60% e 70% desse faturamento.
M&M - A Pfizer desistiu de recorrer da decisão do STJ sobre o vencimento da patente de Viagra?
Montaneira - A Pfizer acatou a decisão, apesar de respeitosamente discordar do STJ. A companhia só poderá decidir novos passos a esse respeito após tomar conhecimento do inteiro teor da decisão dos juizes.
M&M - Qual é a opinião da Pfizer a respeito dos medicamentos genéricos?
Montaneira - A Pfizer entende que o genérico faz parte de todo o processo de patente em que um medicamento de marca está inserido, como um ciclo natural do negócio farmacêutico.
Quando o medicamento está com a patente protegida e sendo comercializado, ele está dando o retorno do investimento feito no seu desenvolvimento, bem como no de outras moléculas em pesquisa. Com o vencimento das patentes, todos poderão lançar similares ou genéricos, promovendo maior acesso de pacientes à determinada terapia.
M&M - Qual é o medicamento mais vendido da Pfizer no Brasil e no mundo?
Montaneira - Lípitor é o medicamento mais vendido da Pfizer no mundo e no Brasil, com faturamento de cerca de US$ 13 bilhões por ano no mundo e R$ 176 milhões em 2009 no Brasil, de acordo com dados da consultoria IMS Health.
Investimento de R$ 20 milhões para ter o genérico de Viagra Confira a entrevista com Waldir Eschberger Júnior, vice-presidente de mercado da EMS, que já tem a licença para fazer o sildenafil. Ele fala do segmento e das possibilidades de crescimento.
M&M - Como o laboratório se prepara para o crescimento do mercado de genéricos?
Waldir Eschberger Júnior - Investindo constantemente em melhorias estruturais, aquisição de equipamentos, reforço de equipe, qualidade de mão-de-obra e em pesquisa e desenvolvimento (P&D). A EMS investe 6% do seu faturamento anual em P&D.
Nesse setor, trabalham mais de 200 pesquisadores, entre farmacêuticos, químicos, biólogos, mestres, doutores e consultores nacionais e internacionais. É importante destacar que a empresa possui um dos maiores e mais modernos Centros de P&D da América Latina, construção na qual investiu cerca de R$ 25 milhões, em 2002.
M&M - Quais são suas principais apostas?
Eschberger - Do mesmo modo que a EMS preparou-se para entrar com força no mercado do Viagra genérico (lembrando que a empresa foi a primeira a obter registro na Anvisa para produção da versão genérica desse medicamento), também está atenta às próximas expirações de patente de medicamentos importantes e trabalhará para colocar no mercado a versão genérica dos principais medicamentos que terão suas patentes expiradas.
M&M - Qual a posição da indústria brasileira no cenário mundial?
Eschberger - De acordo com dados da consultoria IMS Health, o mercado farmacêutico brasileiro deve crescer entre 8% e 11% até o ano de 2013. Entre os fatores que contribuem para esse crescimento estão a economia estável, o maior acesso a medicamentos e políticas do governo para a área de saúde.
Em 2009, as vendas totais de medicamentos no Brasil somaram R$ 30,2 bilhões. Ou seja, o Brasil tem se destacado nesse segmento e vem chamando a atenção do cenário mundial para a sua boa perspectiva em termos de mercado consumidor, por exemplo.
M&M - Que fatores estão bloqueando ou atrasando os projetos de crescimento?
Eschberger - As articulações que alguns laboratórios realizam na esfera judicial para tentar prorrogar o prazo de expiração de uma determinada patente é um fator que acaba atrasando a entrada de mais genéricos no mercado. Mas, a cada ano, mais patentes tendem a expirar, o consumidor cada vez mais adquire confiança nos genéricos e a indústria está investindo em qualidade e capacidade de produção. Esses fatores protegem o mercado de eventuais interferências.
M&M - Como estão planejando o lançamento do sildenafil? Vocês anunciaram para junho, não é?
Eschberger - Exato, vamos respeitar a expiração da patente, em 20 de junho, para começar a produzir o sildenafil. A legislação permite que apenas o desenvolvimento do genérico seja feito antes do fim da validade da patente. A importação da matéria-prima, a fabricação e a comercialização efetiva do produto só podem ser realizadas depois da sua expiração.
E é isso o que a EMS irá fazer: a partir de 21 de junho, o lançamento do citrato de sildenafila será a nossa prioridade. A meta é lançar o produto o mais brevemente possível e com valor pelo menos 35% menor do que o do medicamento de referência. Ao todo, a empresa passou três anos desenvolvendo o produto e investiu R$ 20 milhões. A estimativa da empresa é ter 50% do mercado de sildenafil já no final do primeiro ano de comercialização.
Leia mais sobre o fim da patente do viagra
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